6 Dias em Bombaim (Alka Joshi)
- Laila Vitória
- 23 de nov. de 2025
- 2 min de leitura
Eu pensei muito antes de escrever esta resenha, porque não foi um livro que me conectou, e isso sempre tira um pouco da inspiração. Li várias opiniões positivas e acho importante reforçar: essa foi apenas a minha experiência, e a sua pode ser completamente diferente então, se o livro te chamou atenção, dá uma chance, vai! rs

A história acompanha Sona, uma enfermeira que leva uma vida simples em Bombaim ao lado da mãe. O pai britânico a abandonou quando ela era criança e seu irmão mais novo já faleceu, o que marca profundamente a atmosfera emocional da sua vida.
Tudo muda quando Sona passa a cuidar de Mirna, uma artista famosa internada após um aborto. Ela se conecta de forma genuína com Mirna, admira sua força, sua história e a vida vibrante que ela representa. Porém, uma aplicação dupla de morfina leva à morte da paciente, e Sona é responsabilizada pelo erro, sendo afastada do hospital. Pouco depois, ela descobre que Mirna deixou para ela uma missão: entregar algumas obras de arte para pessoas que fizeram parte de sua trajetória.
Sona hesita afinal, isso exigiria deixar a mãe mas a narrativa resolve esse conflito por ela. Sua mãe morre, e um paciente muito querido faz uma proposta para que ela o acompanhe como enfermeira em uma viagem, o que simplifica toda a decisão. Aqui senti a maior fragilidade do enredo: Sona não enfrenta verdadeiramente um dilema; ela apenas flui conforme os acontecimentos. Não há escolha, apenas empurrões da vida o que enfraqueceu o peso emocional da jornada.
Ao longo da viagem, além das entregas das obras de Mirna, que revelam histórias, amores e fragilidades da artista, surgem também dois interesses amorosos: um enfermeiro com quem Sona troca olhares e afeto, e o filho do paciente que a levou na viagem, criando mais um triângulo emocional que, apesar de potencial, não chega a se desenvolver com profundidade.
E, quando parece que tudo vai se fechar, o livro ainda apresenta um segredo envolvendo a filha que Sona vem a ter no futuro, um último mistério que tenta dar um tom dramático e surpreendente ao encerramento mas que, na minha experiência, acabou soando um pouco desconectado do restante da trajetória da personagem.
Apesar dessas questões, o livro tem seus méritos: a ambientação em Bombaim é rica, algumas reflexões são sensíveis, e Mirna é, sem dúvida, a figura mais cativante da trama. A escrita é leve, rápida e fácil de acompanhar e entendo perfeitamente por que tanta gente gostou.
No fim, essa foi a minha leitura e não necessariamente será a sua. O que não funcionou para mim pode, justamente, ser o que vai te emocionar. Literatura é isso: cada leitor vive sua própria viagem.




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